quinta-feira, agosto 11, 2005

Relato do mês de Semgosto

Pois é…isto é uma tristeza. Agora só faço posts de mês a mês. Quando recomeçarem as aulas tenho que alterar esta rotina.
Nem sei bem por onde começar. Acho que o início é a melhor opção.

Como já estava a empalidecer, a seguir aos exames, fiz uns dias de praia para «dar umas de mão» na minha cútis.
Acabada a folia arenosa, fui uma semana para a Holanda, visitar Amesterdão.

Gostei bastante, apesar de o tempo não ter cooperado. Partimos daqui feitos veraneantes: de manga curta e «gâmbia» ao léu. Azar o nosso. Mal chegámos ao aeroporto de Schiphol, vimos que não estávamos propriamente no Brasil.
Sim, tínhamos impermeáveis, mas o pessoal da meteorologia dizia que estavam vinte e tal graus. Aldrabões de uma figa. Aquilo é uma máfia. De certeza que são subornados pela indústria dos guarda-chuvas.
Lá apanhámos um táxi para a cidade. O condutor era indiano ou de uma etnia próxima. Sóbrio, cordial. Nada de Pepsodent ou Colgate.
Passámos pelos subúrbios de Amesterdão, polvilhados com gigantones de aço e vidro com etiquetas ao peito a dizerem-nos a que multi-nacional pertenciam. No mínimo, 20 andares.
Lá começámos a vislumbrar o Amstel e os seus canais, chegando pouco a seguir ao nosso apart-hotel. Como reservámos o apartamento pela net, a coisa podia não correr bem. Que coelho é que iria sair da cartola?
Por uma entrada meia manhosa, subiam-se umas escadas quase na vertical (como em quase todos os prédios lá) que iam ter à recepção. O meu pai fez o dito percurso e voltou com o funcionário, um rapaz indiano (ou por aí) dos seus vintes e com um ar muito «peace & love». Ou seja, cá para nós que ninguém nos ouve, ele estava bem «ganzado». Digamos que o seu andar arrastado não escondia a «dieta vegetariana».
:P

Para quem não sabe, é melhor esclarecer que na Holanda, pode-se fumar drogas leves à vontade. Há inúmeras Coffeeshops, que são locais próprios para consumo. Quem lá for, que não as confunda com Cafés, apesar de também se poder comer várias coisas com Marijuana e outras substâncias leves, desde bolos de chocolate a rebuçados, passando pelos chás, há de tudo um pouco.
Aliás, no Mercado das Flores, bem no meio das túlipas, há plantas de Cannabis sp. à venda. E nas várias feiras espalhadas pela cidade (tipo Vandoma), encontram-se cachimbos especiais, sacos com misturas e até pequenas latas rotuladas de ‘Beginners’ Kit’.
Retomando o relato… o moço lá nos levou até ao apartamento. Tinha uma vista porreira sobre o rio. Podia estar melhor equipado, mas nada de grave. O local era excelente, a dois passos da Praça Dam, o coração da cidade.

Palácio Real, Praça Dam.
Copyright © 2004 Hans Stellingwerf

Não vou agora estar a descrever tudo o que vi ou vivi.
Quero só dar uma ideia.
Os milhares de bicicletas a tangenciarem-nos a todo instante. Os incontáveis canais com os seus olmos sossegados. O Amstel omnipresente. As barcaças personalizadas (não me importava nada de viver numa). As casas prestes a tombar, sempre de tijolo (pintado ou não), com as suas magníficas empenas, ora trabalhadas e sinuosas ora lisas, geométricas.

Visitei também alguns museus.
O primeiro foi o Rijksmuseum, o «Louvre» de Amesterdão. (In)felizmente, está a passar por grandes obras de restauro e somente uma parte da colecção pode ser vista. De qualquer das maneiras, vale muito a pena.
Vi bastantes obras de Rembrandt van Rijn, nomeadamente a famosa "Ronda Nocturna". Eis um pintor que a maior parte da gente adora, mas de que eu não sou um particular admirador. Reconheço-lhe a qualidade, mas daí a ser um dos meus preferidos vai uma boa distância.
Ao contrário do anterior, há um pintor da mesma época (a Idade de Ouro da Holanda) que eu aprecio muito: Johannes Vermeer. E devo dizer que reforcei a minha opinião.
[Já agora, aproveito para fazer uma sugestão: "Rapariga com Brinco de Pérola", um filme calmo e belo. A fotografia ficou a cargo do «nosso» Eduardo Serra, que com isso foi nomeado para um Óscar. Não esquecendo, claro, a fantástica Scarlett Johansson. A ver.]
Uma das atracções principais da exposição era "A Leiteira". E digo-vos, ver esta pintura ao vivo é extraordinário. Acreditem, este quadro é genial.

Descobri também outro artista holandês excepcional: Gerard ter Borch. O homem pintava tecidos com uma mestria que raramente se vê. Então, tecidos acetinados cor de madrepérola…incrível. Só visto.

Pormenor de "A Conversa Galante" (1653-1655) de Gerard ter Borch

Depois do Rijks, entrei no Museu van Gogh, outro génio. Dezenas de obras estão lá expostas, é a maior colecção do artsta. Gostei mesmo muito. Não há nada como apreciar os movimentos do pincel pelos nossos olhos.

"Seara de Trigo com Corvos" (1890) de Vincent van Gogh

Fui também ao Museu do Piano e da Pianola. Era uma sala cheia de instrumentos; nas prateleiras perfilava uma colecção com cerca de 20000 rolos musicais. Durante uma hora, um senhor esguio dos seus sessentas esteve a explicar-nos como funcionavam as pianolas, «tocou» várias músicas: clássica, jazz, samba, etc.
Foi óptimo. No final, ele pôs um rolo num Steinway de cauda que lá tinha e ouvimos (imagine-se) o Vladimir Horowitz a tocar umas variações sobre a "Carmen" de Bizet. Ou seja, era o fantasma a tocar, as teclas a mecherem-se sozinhas. Estava a ouvir uns dos maiores pianistas dos século XX ao vivo…ou melhor, ao morto. :p
Mesmo antes de nos irmos embora, ele colocou outro rolo com o Alfred Cortot a tocar uma Balada de Chopin. Foi a cereja no topo do bolo.
Ah, já me esquecia….Last, but not least.
Dei um salto à Bélgica para vistar a cidade de Bruges. Uma gema da Idade Média, miraculosamente preservada. Muito ao estilo de Oxford ou dos famosos filmes do Harry Potter. Estupendo.
Fomos numa excursão turística, numa camioneta sobretudo com espanhóis; havia mais duas senhoras portuguesas e americanas.
O guia holandês falou sempre em inglês e castelhano. Aprendi umas coisas com as explicações dele: história, sociologia e humor. Passou metade da viagem a «cascar» nos belgas, a dizer com «palavras mansas» que eles são burros e que a Bélgica é um país inventado. lol

Copyright © 1992 Philippe Vijghen

Na última semana, fui passar uns dias a Vila Flor com parte do Puredo, amigos da faculdade. Foi pena não termos ido todos. Apesar de o parque de campismo estar apinhado, correu tudo pelo melhor e soube bem.
Agora ando aqui por casa a pôr discos e livros em dia.
Bem… vou voltar para o piano. Ando à volta de uma Sonata de Scarlatti, a K.13. Aquilo não é muito fácil: o homem gostava de fazer malabarismos no teclado, as mãos têm que andar sempre a saltar de um lado para o outro, literalmente. Espero conseguir tocá-la em condições. :)

2 Comments:

At 12:05 da manhã, Blogger nakamura_michiyo said...

os teus posts realmente são qualquer coisa :) os meus, quando os re-leio depois de escrever, metem nojo aos cães lol eu ponho-me a escrever tipo metralhadora, como se estivesse a falar, e o que sai é aquela desgraçada, parece que não consigo articular meia dúzia de frases. Enfim. Já dá para ver que na Holanda passaste bons momentos, apesar do tal azar do mau tempo. :D e com que então havia muitos vegetarianos por lá? XD aqui no Porto também havia uma loja que vendia chás, chocolates, gomas, chupa chupas e tantas mais coisas com marijuana, mas agora já fechou. e eu se fosse a ti não falava muito, porque apesar de eu não ser grande coisa em botânica, ao pé de tua casa há uma árvore com umas folhas perigosamente semelhantes às da nossa amiga maria joana. Uma vez passei por lá com um amigo e até guardamos algumas folhas, por mera curiosidade, mas a minha estava toda esfarfalhada quando cheguei a casa. Tens de ir investigar isso :P
ainda bem que se divertiram no campismo!
boa sorte com a Sonata de Scarlatti a K.13 ;) de certeza que vais conseguir tocá-la muito bem :)

 
At 2:35 da manhã, Blogger TF said...

Se há Cannabis aqui nas redondezas, juro que não tenho nada a ver com isso. (or do I?) :P
O Puredo devia ter estado completo no campismo, mas paciência. Fica para o próximo ano. :)

 

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